13 outubro 2018

Bolsonaro e Haddad defendem manter bancos oficiais e estatais estratégicas


Um está certo, resta o outro. Há apoio explícito do mercado, da indústria e de especialistas e eleitores que defendem a agenda liberal. Jair Bolsonaro (PSL) Jair Bolsonaro (PSL) Jair Bolsonaro (PSL) Em poucas coisas, e Fernando Haddad (PT) concorda. Uma delas é que os bancos oficiais Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal continuam sendo estatais em seus possíveis governos.

Haddad vai ainda mais longe: diz que não vai privatizar outras empresas que considera importantes para o governo, como Petrobras, Eletrobras, Correios e Embrapa. "Eles são empresas estatais estratégicas", disse ele em entrevista à rádio CBN na quinta-feira 11.

Bolsonaro não nega completamente a privatização da Petrobras, mas já afirmou claramente que não pretende vendê-la inteiramente ao setor privado – para negociar subsidiárias e distribuidores, mas defender a manutenção do "núcleo" do governo.


Em uma transmissão ao vivo no Facebook, na sexta-feira, 12, ele novamente defendeu a não privatização de empresas estatais estratégicas e citou o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e Furnas, entre exemplos de empresas que não planejam ceder ao setor privado.

"Temos 150 empresas estatais. No primeiro ano, enviamos para o espaço cerca de 50 criados pela PT. Para outros 50, deve ter critérios, um modelo de responsabilidade, talvez uma participação de ouro com direito de veto) ", diz Bolsonaro. "O que é estratégico não pode ser privatizado".

Na quarta-feira 10, o mercado financeiro respondeu mal aos comentários do candidato do PSL no estado "estratégico", cuja manutenção vai na direção oposta ao guru econômico liberal Paulo Guedes. A empresa mais atingida foi a Eletrobrás, após o candidato ter dito na noite anterior, em entrevista à Band, que não seria privatizada. As ações da companhia caíram 9,25% na bolsa de valores de São Paulo – Os acionistas de outras empresas estatais, como a Petrobras e o Banco do Brasil, também perderam valor, o que levou ao Ibovespa a cair 2,8% no final do dia.

Nesta sexta-feira, Paulo Guedes disse que ele favorece a continuidade do processo de vendas para os distribuidores da Eletrobra e parte da geração de eletricidade. "Na distribuição sim (sou para privatização), na transferência isso é muito difícil, mas na geração há casos como o sim, outros não. Há muitos casos de geração privada forte", afirmou.

Jornalistas Guedes estima que a Eletrobras nos últimos anos perdeu a oportunidade de investir e vender ativos para ajudar a resolver o problema. "Com a redemocratização, é natural que os recursos sejam necessários para a área social, como saúde, educação e segurança pública. O núcleo do programa econômico é continuar essa transformação de um Estado que perdeu sua capacidade de investir e se corrompeu e manipulou."





No caso das distribuidoras, o atual governo privatizou quase todas as empresas Eletrobras, com exceção de uma unidade na Amazônia, cujo leilão está previsto para 25 de outubro, e para Alagoas, uma operação temporariamente suspensa por decisão do mais alto órgão brasileiro. Tribunal.

Apesar das divergências, Bolsonaro negou problemas com seu futuro ministro das Finanças. "Eu não derrotei Paulo Guedes, concordo com 90% do que ele diz, e ele tem 90% do nosso lado. Ele está bem encaminhado para esse casamento."

Segundo ele, apesar das limitações impostas a venda de algumas empresas estatais, ele disse que seu governo terá "um grande plano de privatização". "E você pode ter certeza de que o mercado não ficará desapontado conosco", acrescentou.
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A Petrobras aparece como um campo de batalha entre os defensores do livre mercado e extras na equipe de Bolsonaro, Guedes, que só participou da campanha este ano, dizendo que está defendendo uma privatização na petroleira, mas o assessor de Bolsonaro não tem certeza o futuro da sua própria política. Um dos principais membros da equipe, que falou em termos de anonimato por causa da sensibilidade do problema, disse que pediu à Petrobras para ser dividida em quatro empresas e três delas vendidas.

Bolsonaro, pressionado por generais militares cada vez mais vocálicos que cresceram como contrapeso a Guedes, descreve a Petrobras como um ativo estratégico, embora tenha expressado amplas visões sobre a empresa nos últimos meses. "Seu núcleo deve ser preservado", disse ele na entrevista da banda. "Refinaria, refinarias, acho que você pode ir gradualmente para privatizações."

Como vice-presidente federal, o capitão aposentado do Exército repetidamente votou pela preservação do monopólio único da Petrobrás na exploração e produção. Um de seus principais consultores em questões de infraestrutura e energia, o general Oswaldo de Jesus Ferreira, citado pelo ministro dos Transportes, Bolsonaro, descreveu a empresa como um ativo estratégico que deve permanecer nas mãos do Estado.

As aparentes tensões nas campanhas da equipe para o futuro da empresa são indícios de que a recente recuperação das ações da Petrobra – cerca de 20% ao mês em ações preferenciais, quando Bolsonaro aumentou na pré-seleção e depois venceu a primeira rodada "

Considerando a história da voz de Jair Bolsonaro em seus próximos 30 anos no Congresso, sua relação com setores militares estatísticos e as declarações contraditórias de seu líder de campanha no assunto, é difícil acreditar que ele inclua a Petrobras em um programa de privatização ", disse Ricardo Lacerda, CEO do Banco de Investimentos. BR Partners. "O mercado parece

O gigante do petróleo de Haddad é o ex-presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, que muitos vêem presidindo um período de corrupção e má conduta na empresa.

"Por enquanto, o que reflete o preço da ação da Petrobras simplesmente porque é uma empresa que pode ser livre do tipo de intervenção que a PT promove", diz Marcio Correia, que administra 14 bilhões de reais em ações na JGP Asset Management no Rio de Janeiro. "Mas as ações da Petrobra ainda podem subir mais, dependendo do que um potencial governo de Bolsonaro está fazendo."


(Com Estadão Contenido, Reuters e Agência Brasil)

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