O presidente Jair Bolsonaro jogou por água abaixo a tese de diplomatas que sonhavam com um discurso mais sóbrio do que os anteriores na abertura da Assembleia-Geral da ONU. O Bolsonaro de hoje andou longe do Bolsonaro da carta de Temer.
O presidente discursou para sua base ideológica. Logo no início da sua fala, Bolsonaro insistiu na retórica de que seu governo é melhor do que o retratado apresentado pela imprensa brasileira e disse que o Brasil está “à beira do socialismo”.
No pronunciamento de cerca de 13 minutos, Bolsonaro mentiu ou distorceu informações sobre manifestações no País, dados ambientais e corrupção em seu governo. Ele ainda atacou governadores e prefeitos por políticas de isolamento social na pandemia de covid-19, defendeu o chamado “tratamento precoce” contra covid-19, em referência a medicamentos comprovadamente ineficazes, como hidroxicloroquina e ivermectina e ainda se colocou contrário a “passaportes de vacinação”.
O presidente brasileiro procurou manter de pé sua base conservadora e tentou maquiar a realidade para esconder os fracassos do governo. Reforçou seu compromisso com o morticínio da pandemia e com uma agenda de desgaste da democracia.
O que ficou claro no discurso de hoje é que Bolsonaro não vai abrir mão do discurso negacionista, contra a ciência, contra tudo e contra todos e muito menos de sua escalada antidemocrática no País, engane-se com a carta de Temer quem quiser.
Sobral em Revista
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