
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, disse em entrevista à TV CNN que o presidente Jair Bolsonaro tem o “dever cívico” de entregar à Corte as provas que diz ter de que houve fraude nas eleições de 2018.
Na quinta-feira passada, Bolsonaro tornou a levantar dúvidas sobre a lisura do pleito que venceu e também a do segundo turno da eleição de 2014, que, segundo o presidente, foi vencida de fato pelo tucano Aécio Neves, e não pela petista Dilma Rousseff.
“Mais que desconfio, eu tenho convicção de que realmente tem fraude. As informações que nós tivemos aqui, talvez a gente venha a disponibilizar um dia, é que em 2014 o Aécio ganhou as eleições, em 2018 eu ganhei no primeiro turno”, declarou o presidente.
Ao dizer que Bolsonaro tem o “dever cívico” de entregar à Justiça Eleitoral as provas das tais fraudes, como vem prometendo fazer desde 2020, o ministro Barroso recordou qual é a principal obrigação de todos os cidadãos numa democracia: a de fazer o possível para preservar as instituições democráticas.
Por isso, se Bolsonaro de fato tem provas de que houve adulteração nas votações, deveria tê-las apresentado à Justiça Eleitoral assim que as recebeu. Era o que faria qualquer cidadão consciente de seus deveres para com a sociedade, como salientou corretamente o ministro Barroso. Se Bolsonaro até agora não o fez, das duas, uma: ou não tem prova nenhuma ou ignora quais são seus deveres cívicos. Qualquer dessas hipóteses é terrível em se tratando do presidente da República.
Mas Bolsonaro descumpre outros deveres cívicos. Como se sabe, ele atua dia e noite para desmobilizar os esforços da sociedade para conter a pandemia de covid-19. Ao fazê-lo, o presidente estimula seus governados a ignorarem seus deveres cívicos, incentivando cada brasileiro a agir conforme seus interesses pessoais em detrimento da saúde de todos.
Nessa distopia, egoísmo é virtude e solidariedade, crime. Instaura-se o cada um por si. O caos resultante dessa perversão moral é precisamente o que busca Bolsonaro em seus delírios golpistas.
Fonte: Estadão / Editorial
Nenhum comentário:
Postar um comentário